Coleção de textos.
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Sozinhos.

domingo, 16 de outubro de 2011

Prestar não presta pra nada.

Se ninguem presta
quando será que eu não vou prestar?
tenho pressa
prestar não presta pra nada
só aguentar
não prestar é uma dádiva
que vem na hora que deve vir
uma benção, que te livra do medo
indifere a dor, e a te tira a compaixão
compaixão que na lingua portuguesa
só significa co-tristeza

sábado, 15 de outubro de 2011

#vomiteimesmo

Teorizar é preciso, mas porra, neguinho só fica de bla bla bla intelectual, sobre os anos 70, tropicália, arte latino americana datada anti-ditadura, e poesia besta.Cadê alguém fazendo algo?E digo fazer não é só fazer.É fazer algo bom, focando no bom, na qualidade, e não na mera necessidade de fazer por fazer, para dizer de fez e fingir que o que voce fez é bom e original.Não vou nem entrar no que
sito que "bom" é relativo, mas tenhamos um pouco de bom senso e senso critico.Não o senso critico acadêmico, mas o senso critico pratico.Na verdade a maioria das pessoas não tem consciência de onde está, só onde gostaria de estar, e quem gostaria de ser.Não sabe assumir quem é você, quer ser Carmen Miranda, ou o zé carioca.Quer dançar jongo como se você fosse uma pessoa do interior, que cresceu com isso.Não sei, acho isso muito vazio.Por que, nós pessoas da cidade, de classe-media, em sua maioria brancos, temos nossas raizés obvias e rasas.Mas ninguém quer ver isso, acha mais maneiro bancar tipo o branquelo do candomblé, ou sei lá quais outros exemplos.Todo temos necessidade de nos encontrarmos, nos identificarmos, porem nunca paramos para reconhecer nossas reais origens urbanas, poliglotas, sem historias, nem lendas, nem superstições.Não sabe ser um brasileiro.Só sabe ser se for um dos esteriótipos, ou sabe ser achando o brasil uma merda e sonhando ir para fora.

Costumo dizer que, mesmo sendo do Estado do Rio de Janeiro, ter crescido em Niterói, não me identifico com a bossa nova.Por que pra mim, que moro do outro lado da poça, que vê o Rio explodindo de movimento todo dia, que não vai pegar sol na praia de Ipanema, que tem intimidade com a barca e a ponte, a garota de Ipanema está tão distante de mim quanto Auschwitz, Harley, e a guerra fria:São coisas que eu só ouvi falar e nunca fizeram parte do meu cotidiano.

Ter consciência dessas coisas faz descobrir o que é que realmente acontece ao seu redor.

#vomiteimesmo

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Acróstico

Longing
Underneath my
Image
Zap into my mind
Amazing looking kind

Vision
Incrediable
Gorgeous
Living
Inside within
Out of my feeling

sábado, 8 de outubro de 2011

Opalão 78 Amarelo

Sou como um Opala 78
grande, potente, espaçoso
beberrão, meu coração bate 4100 cilindradas
sou veloz a ponto do perigo e só
não custo o beneficio,
sou obsoleto e saudosista
só sirvo para quem ama o fetiche
e possa pagar enquanto puder
o prazer de me ter consigo

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Mozaico Eterno

Com o amargor das vivências
e estilizado pelos cacos
virei um mosaico eterno
pisado por tantos sapatos

E quanto mais mozaico eterno eu sou
mais moido é o cerol dos meus dedos
mais cortante minha lingua fica
mais brilhante é a vida em mim inteiro

Quanto mais vitralizado e imenso
é meu vitral inapto,penso
que se sobra de tempo em tempo
todas as minhas vivências pisadas em silêncio

sábado, 1 de outubro de 2011

Línea

A linha do horizonte é meio torta
se voce vê, não é facil de lidar
uns piram, outros nem ligam
e uns poucos fazem versos ruins

mas se desentortar a linha já não dá
aliviar as curvas que por vezes torturam
faço um versinho para aliviar livia.
seja triste-feliz ou meio noturna

mesmo um pouco soturno
uma presepada, não um truque
pra quem triste-feliz é, até que durma
faz uma linha torta, sortuda

de manha o sol passa num arco
e a noite o céu é sem fim
e no meio fica a linha torta,
por onde o sol se esconde zéfinim.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"Proibida a entrada de aranhas e visigodos"

Tantas coisas famosas da historia do mundo ficam tão longe daqui do brasil e do rio de janeiro.Alshivit, URSS, Brooklyn, Berlin, Egito, Moçambique...Que parece que são só historias.Essas coisas não significam pra nós como elas significam para quem conviveu com elas.Então conheci uma senhora judia, que só descobriu ser judia, quando seu pai antes de morrer quebrou o juramento que fez e a contou.Ele perdeu a família inteira em Alshivit.Foi um sobrevivente, acho que de 10 irmãos.Ai isso tudo soa estranho, inventado, não faço ideia do que seja alshivit, ou ser judeu na europa pós-nazista.Da mesma forma que eu não sei o que é morar no Harley, entre os negros e os latinos ( onde eu certamente estaria ).Não sei o peso da palavra nazismo, nem racismo.Não sei o que é ser Alemão e carregar o peso do olhar de outras pessoas sobre o passado a minha nação.E tudo isso é tão grande, as guerras a historia do mundo, que não deixa de ser a historia da Europa em vários aspectos.Existe muito peso numa historia de costas cansadas.Num continente que tem o tamanho de um país.Então aos poucos coleciono essas historias que eu não sei caber.Como quem coleciona ossos de se la quem. Também não sei o peso da fome, talvez já tenha ouvido falar, mas também não sei o que é ser fechado, e odiar moscovitas, nem sei o que é ser moscovita.Não sei o que é ter o mesmo carro a 45 anos e ficar preso numa ilha.Não sei o que é ser basco e minha linguá não ter as mesmas raízes de nenhuma outra.Não sei o que vir do interior.A unica coisa que sei a morar do lado da capital afetiva do Brasil.De forma que também não sei o quem é a garota de ipanema, nem mesmo crescer no morro ou área humilde qualquer.Eu sei o que é atravessar a baía e seguir pra serra, de resto é onde eu moro, e aqui parece não se saber muito das coisas.Não temos catástrofes vividas...vividas digo no sangue e na tristeza, e graças a deus que não, mas muitas vezes não há valor algum qualquer coisa.Por isso sem querer, por interesse despreocupado, me entretenho a inquietação com os ossos dos mortos de outras historias.